
O compositor, advogado e jornalista Fernando Brant nasceu no município mineiro de Caldas, em 9 de outubro de 1946. Em 1967, Milton convenceu Brant a escrever sua primeira letra. Era "Travessia", composição que, no mesmo ano, ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. A parceria também contribuiu para a formação do quinteto inicial do "Clube da Esquina", que contava ainda com Ronaldo Bastos e os irmãos Márcio e Lô Borges. A partir de então, esse grupo de mineiros passou a ser reconhecido dentro e fora do Brasil por reunir poesia e protesto em suas músicas. Já Robertinho Brant, sobrinho de Fernando, é da geração seguinte: nasceu em Belo Horizonte em 13 de agosto de 1967 e iniciou sua carreira em meados da década de 80, como compositor e cantor.
Vinte anos depois de compor a música, Fernando e Roberto Brant reconhecem no Refrão que o tempo da história é diferente do tempo das pessoas. E que as mudanças estão acontecendo: "Apesar das dificuldades, vivemos em uma democracia plena, o Judiciário funciona de forma independente. A gente tem, por exemplo, na Constituição o capítulo dos direitos e garantias individuais, e ele é perfeito. E o Supremo Tribunal Federal tem sido um defensor disso, que é a coisa mais importante que temos", diz Fernando Brant.
Valdir Pucci, professor de Ciências Políticas, também participa do programa e fala sobre as contribuições dos compositores da geração de 60 para o retorno da Democracia: "A MPB veio ajudar os brasileiros com músicas inteligentes, de duplo sentido, que criticava a ditadura, mas ela não entendia, acabando por permitir que essas canções fossem repassadas. Por meio delas, a juventude então expressava a sua liberdade cassada anos antes", analisa o cientista político. Além da música feita na Ditadura, o Refrão desta semana também fala sobre o Rock Nacional produzido nos anos 80 e a relação entre educação e cultura. Outro tema relacionado ao mundo da música em discussão é o Direito Autoral na era da internet.
Conheça a letra da música:
ALMA ANIMAL
(Robertinho Brant/ Fernando Brant)
Sou o sonho que ficou
No pó da estrada amarelou
Já não há chuva, não há rio ou mar
Que possa me lavar
Brasil parece ser a cruz
Que tenho de carregar
Mas eu não sou Jesus
Não sei ressuscitar
Amar eu sempre amei
Foi no amor que eu me criei
Mas é demais sofrer no coração
Dor de uma geração
Quem dera o sol tropical
Me desse a alma animal
Pudesse eu ser feliz
Depois da cicatriz
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